No embalo da rede. Trocas culturais, história e geografia artistica do Barroco na América Portuguesa.

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    No embalo da rede. Trocas culturais, história e geografia artística do Barroco na América Portuguesa
    (Enredars, 2020) Migliaccio, Luciano, ed.; De Almeida Martins, Renata Maria, ed.
    A transculturação e a miscigenação são entendidas como fenômenos constantes e característicos da cultura global, marcadamente desde a época dos primeiros contatos entre europeus e outras civilizações, em particular da experiência social americana da época colonial, na esteira da reflexão metodológica elaborada por historiadores como Serge Gruzinski e Gauvin Bailey. De fato, não seria possível atribuir sentido a cada manifestação se não desde o ponto de vista de cada ator dependendo da sua localização no contexto global. Cada cultura, ainda que de forma e com intensidade diferente, é separada da sua própria tradição e entra num processo de transformação em que o significado de cada elemento é redefinido em relação ao reflexo de fatores globais na situação local.
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    O programa artístico das pinturas de forro nas igrejas carmelitas das cidades paulistas de São Paulo, Itu e Mogi das Cruzes
    (Enredars, 2020) Salomão, Myriam
    Dos espaços religiosos carmelitas ainda existentes em cidades do atual estado de São Paulo (antiga Capitania de São Vicente), tanto os conventuais como os de ordem terceira, quatro exemplares merecem destaque por ainda apresentarem em seu interior pinturas nos forros dos tetos: a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo na cidade de São Paulo, a Igreja Conventual de Nossa Senhora do Carmo e Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, ambas em Mogi das Cruzes e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Itu. Construídas a partir do século XVII e ampliadas ou reconstruídas durante o século XVIII, acompanharam a expansão e ocupação territorial da então Capitania de São Vicente, tendo a cidade de São Paulo como ponto de partida das rotas para os ¿sertões¿. Inicialmente com a ocupação dos territórios a leste ¿ Mogi das Cruzes ¿ e depois a oeste ¿ Itu, na direção de Mato Grosso e Goiás, verificaremos através da análise individual e comparativa das pinturas realizadas a partir da segunda metade do século XVIII e início do XIX, quais os pontos em comum e em que medida atendem a um programa artístico estabelecido pelos religiosos carmelitas ou se indicam adaptações às necessidades locais.
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    Para uma possível (e necessária!) história dos sermões na América Portuguesa
    (Enredars, 2020) Pena Ferreira, Valéria Maria
    Este texto defende a necessidade de elaboração de uma história dos sermões na América Portuguesa. Ele se inicia com o levantamento de testemunhos que apontam para o lugar central que essa prática discursiva ocupou naquela sociedade. Em seguida, comenta algumas referências feitas à parenética do período colonial em obras de historiadores e críticos da Literatura Brasileira, destacando a lacuna que a história proposta poderia preencher. Finalmente o texto apresenta os pressupostos teórico-metodológicos que embasariam essa história, amparando-se em Lucien Febvre, Jacques Le Goff e Michel Foucault, numa perspectiva que articula os sermões à organização de conjunto da sociedade de que fizeram parte.
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    Vermelhos, Celestes e Mestiços: A Capela de São Miguel Paulista e a difusão cultural entre São Paulo e América Hispânica
    (Enredars, 2020) Montanari, Thais Cristina
    Considerado um dos templos religiosos mais antigos da cidade de São Paulo, a Capela de São Miguel Arcanjo, localizada na zona leste da cidade, possui grande importância histórica e artística. Reconstruída em 1622, a Capela fazia parte de uma antiga rede de aldeamentos estabelecidos pelos missionários jesuítas, ainda no século XVI na Capitania de São Vicente. Durante os trabalhos de restauro realizados recentemente, em 2007, foram encontradas as antigas pinturas parietais escondidas embaixo dos altares laterais em madeira, ressignificando a história da Capela e abrindo novos caminhos para a análise da produção da arte religiosa no contexto da colonização em São Paulo, em razão de seu estilo e iconografia; além do emprego de determinados pigmentos e de mão-de-obra local, majoritariamente indígena e mestiça. Desse modo, a partir do aprofundamento dos estudos e das análises historiográficas e documentais, será possível analisar os processos de intercâmbios entre as culturas europeia e ameríndia, e apontar para as possíveis redes de artes e ofícios as quais integravam o aldeamento de São Miguel no período colonial.
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    Práticas de Re-existência e Opção Decolonial nas artes da Amazônia: indígenas pintoras e redes de circulações locais/globais de saberes e objetos
    (Enredars, 2020) De Almeida Martins, Renata Maria
    Este artigo apresenta alguns resultados de pesquisa acerca da agência* das mulheres indígenas pintoras de cuias e produtoras de vernizes, nas artes do período colonial na Amazônia. São reflexões reunidas em textos anteriores, já publicados ou não, entre 2009 e 2020, e revisados no âmbito do Projeto Jovem Pesquisador FAPESP Barroco Cifrado**. As intensas redes de trocas culturais na região ¿ ativas desde o tempos pré-coloniais entre diferentes povos indígenas ¿ ganharam novos atores a partir da primeira mundialização no século XVI. Levando em conta o ¿giro¿ historiográfico em direção à história da arte global ¿ sem perder as características locais de cada experiência ¿ , assim como os desafios da decolonização e a opção por evidenciar as práticas de re-existências artísticas e culturais em processos de longa duração; procuramos colaborar para destacar a contribuição, quase sempre cifrada e muitas vezes ocultada das tradições culturais dos povos da Amazônia e das mulheres indígenas no contexto colonial. O problema envolve, portanto, um estudo mais aprofundado da história local, das circulações, trocas e apropriações de modelos e materiais europeus e/ou orientais e/ou da terra (em cuias e vernizes), das transformações ocorridas a partir do conhecimento, da criatividade e do trabalho de artistas indígenas, africanos e mestiços, e das manifestações mais recentes das culturas caboclas e ribeirinhas.
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    Itanhaém: arquitetura colonial no litoral sul de São Paulo
    (Enredars, 2020) Vieira Santos, Regina Helena
    Este artigo busca sintetizar e esclarecer a história das origens de Itanhaém, município do litoral sul do Estado de São Paulo, e apresentar a herança arquitetônica do período colonial. Tomando como referência documentos, como o diário de navegação 1530-1532 da expedição de Martim Afonso de Sousa, assim como a análise crítica de bibliografia existente de Benedito Calixto, Serafim Leite, Frei Basílio Rower e Mário de Andrade, e levantamentos arquitetônicos realizados em campo. A povoação localizava-se numa pequena elevação entre os rios Peruíbe e Itanhaém, no lugar de uma aldeia de indígenas que foram catequizados por missionários jesuítas, hoje no sítio arqueológico chamado Abarebebê. À margem esquerda do rio Itanhaém, distando cerca de duas léguas da primitiva, surgiu pouco tempo depois o povoado com uma ermida dedicada à Nossa Senhora da Conceição, no alto do Morro Itaguassú. Este povoado, em 1561, foi elevado à condição de vila, tornando-se sede da Capitania de Itanhaém. O objetivo deste artigo é conhecer um pouco do patrimônio arquitetônico colonial existente, contribuindo para preservar essa riquíssima paisagem cultural ameaçada.
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    O Mestre de Angra dos Reis (século XVII)
    (Enredars, 2020) Schunk, Rafael
    As primeiras imagens e bustos relicários da Região Nordeste/Sudeste da América Portuguesa rivalizam pela importância sacro-cultural, significativo testemunho do processo de colonização. A arte cristã no Brasil surgiu a partir das atividades de santeiros conventuais jesuítas, beneditinos, franciscanos e carmelitas. Neste artigo reunimos a produção do artista anônimo denominado Mestre de Angra dos Reis, um dos precursores da escultura sacra franciscana, enigmático ceramista do século XVII associado a lendas, escavações arqueológicas e venerações populares.
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    Jesuítas em Córdoba e as Estâncias
    (Enredars, 2020) Tirapeli, Percival
    A cidade de Córdoba na Argentina é das mais antigas vilas fundadas no antigo Vice-Reinado do Peru a caminho para as terras do Paraguai. Em 1563 a pequena vila desenhada em forma de tabuleiro estava posicionada entre os importantes caminhos que ligavam as cidades de Cusco e La Paz até Assunção com outros caminhos como aquele que levava para a rica vila de Potosi. Naquela encruzilhada de interesses das conquistas e em busca de terras planas para o cultivo de mantimentos, Córdoba já em 1622 era elevada à condição de Alfândega Seca a administrar a saída e entrada de mercadorias em toda esta região que na segunda metade do século XVIII seria o Vice-Reinado do Rio da Prata tendo como capital a portuária Buenos Aires. Os padres da Companhia de Jesus chegaram em Córdoba em 1599 e logo se acomodaram em uma manzana com pequeno colégio, igreja, residência dos padres e seminário de noviços. O conjunto cordobês é soberbo e grandioso constituído de Universidade, Capela dos Noviços, igreja e casas para acomodar estudantes. Para manter o empreendimento, os Jesuítas contaram com doações, porém, para seguir oferendo os estudos gratuitos aos jovens, foi necessária a compra de estâncias usadas para a criação de gado emulas, e para cultivo. Assim, foram desenvolvidas as estâncias nas redondezas de Córdoba, a caminho de Tucumán e acima dos Andes até a próspera Potosi onde a grande mina de prata no Cerro Rico necessitava de mantimentos para manter as atividades. As estâncias foram desenvolvendo-se cada qual com suas especificidades Caroya (1610), Santa Catalina (1622), Alta Gracia (1642), Jesus Maria (1618), Candelária (1678) e San Ignácio entre tantas outras desaparecidas ou desativadas depois da expulsão dos padres em 1768. Tanto no grande conjunto urbano como nas estâncias rurais a arquitetura se destaca, assim como o mobiliário com ricos altares, acervos de pinturas e esculturas.
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    O retábulo como marco da passagem do fiel vitorioso
    (Enredars, 2020) Bonazzi da Costa, Mozart Alberto
    Desenhar formas é suprimir por meio da escolha de algumas linhas uma infinidade de outras, conferindo ao objeto representado um recorte pessoal, resultante da capacidade individual e da abrangência do repertório do autor, e das expectativas do grupo encomendante, ao qual o trabalho se destina. Assim, tradicionalmente, utiliza-se representações para a transmissão de conhecimentos e informações a públicos-alvo definidos. Pode ser surpreendente constatar o nível de conhecimento envolvido em processos comunicativos, em períodos remotos da história. Certamente, as representações se apresentavam impregnadas de conteúdos simbólicos, ancestralmente conhecidos, materializados por meio de formas incorporadas à uma tradição representativa, e, portanto, constituindo padrões em constante repetição ou recombinação. O presente trabalho aborda um desses padrões, editado em diversos locais e períodos históricos desde a Antiguidade, em ocorrências mais frequentes até o século XVII, que se tornaria motivo ornamental fundamental ao atendimento das diretrizes conciliares tridentinas, dirigidas à constituição dos espaços religiosos, após a ruptura ocasionada pela Reforma Protestante. As implicações da sua adoção são numerosas, profundas e surpreendentes.
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    Entalhadores sacros paulistas da Colônia: suas características e influências mineiras, fluminenses e portuguesas
    (Enredars, 2020) Rosada, Mateus
    O texto apresenta um dos desdobramentos da tese de doutorado ¿Igrejas Paulistas da Colônia e do Império: Arquitetura e Ornamentação¿ [nota 1], que analisou 120 igrejas de ornamentação maneirista, barroca, rococó e neoclássica em 57 municípios do estado de São Paulo. Procura formar um panorama das artes da talha de São Paulo até o final de período colonial (1822). Para isso, trata sobre os principais entalhadores que trabalhavam na região e busca evidenciar inter-relações entre os artistas que fizeram os altares dos templos remanescentes no Estado. Percebe-se que o número de entalhadores e/ou grupos de mestres de torêutica que circularam em São Paulo no período não foi grande, mas é possível encontrar várias semelhanças de traço em vários retábulos de São Paulo, em diferentes municípios, evidenciando que houve uma grande circulação de ideias e profissionais. O texto também analisa influências recebidas pelos artistas que trabalharam em Portugal, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. São apresentadas algumas características que diferenciam a talha paulista da de estados vizinhos, demonstrando alguns elementos que lhe conferem singularidade.
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    As devoções marianas e suas relações com a cristandade luso-brasileira na São Paulo Colonial
    (Enredars, 2020) Spiteri Tavolaro Passos, Maria José
    No Brasil Colonial, o catolicismo embasou-se na noção de Cristandade, herança da tradição teológica medieval que foi levada às colônias lusitanas e hispânicas na América, tornando-se uma extensão dessa Cristandade no além-mar. Essa concepção deu origem a princípios religiosos que guiaram os passos daqueles que viviam nas novas terras, orientando a fé e a moral e influenciando também suas crenças e atitudes. A hagiografia mostrou-se nesse meio como um poderoso instrumento catequético, difundindo as virtudes e os modelos de conduta para o ¿bom cristão¿. Nesse contexto, a promoção do culto aos santos foi de fundamental importância, para o que concorreram os religiosos e membros das fraternidades leigas que reuniram nos espaços sagrados um extenso repertório iconográfico sob a forma de pinturas, esculturas e objetos que refletiam as orientações norteadoras das ações dos fiéis nas terras coloniais. Tendo como ponto de partida os remanescentes escultóricos representados pelas imagens sacras em igrejas paulistas, o presente trabalho analisa as devoções marianas, estabelecendo possíveis relações entre o universo religioso, a sociedade colonial e a cristandade luso-brasileira.
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    A parte sem o todo não é parte
    (Enredars, 2020) Meiron, Julio
    Retraçando paralelos entre os Santuários de Bom Jesus de Congonhas, nas Minas, e de Bom Jesus de Braga e de Matosinhos, ambos em Portugal, o artigo busca reforçar a ideia de um universo colonial altamente dinâmico, apesar de periférico.
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    A leitura do barroco real ¿ Uma imprescindível cooperação
    (Enredars, 2020) Corrêa Dias de Moraes, Julio Eduardo
    Várias intervenções de restauro de obras de arte provenientes do barroco, realizadas nas últimas décadas, vêm recuperando características formais e executivas deturpadas ao longo do tempo por deterioração e sobretudo por ações humanas, que ensejavam leituras incompletas ou equivocadas. Tem-se encontrado, também, dados novos sobre o processo criativo e técnicas executivas, e informações que direta ou indiretamente contribuem para o estudo do período, região, tendências etc. Através de exemplos de serviços realizados pelo nosso atelier e dos resultados positivos obtidos, expomos a nossa convicção da absoluta necessidade de um trabalho cooperativo entre os órgãos de proteção ao patrimônio, universidades, historiadores, conservadores-restauradores, cientistas da conservação, arquitetos e demais técnicos envolvidos, assim como as comunidades detentoras dos bens.
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    Função e Iconografia: Estudo de uma Imagem Missioneira de São Francisco de Borja
    (Enredars, 2020) Cardoso Gil, Flávio Antônio
    A comunicação busca entender as relações entre função e iconografia de uma imagem de São Francisco de Borja catalogada no Inventário da Imaginária Missioneira (IPHAN)* de 1993. Para isso, recorrese a pesquisa de documentos, estudos comparativos de imagens escultóricas, pinturas e gravuras que possam ter servido como modelo para as esculturas religiosas produzidas nas oficinas das reduções jesuítica-guaranis durante os séculos XVII e XVIII. A verificação tem apoio em um manuscrito da época que se refere à imagem em estudo. O objeto inicialmente estava abrigado no retábulo-mor de templo missioneiro, local de onde foi retirado. A imagem apresenta-se atualmente deslocada e, consequentemente, descontextualizada. Havia uma integração espacial que refletia nas soluções formais e iconográficas da peça, o que se perdeu.
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    As Igrejas das Irmandades dos Homens Pretos: documentos da cultura religiosa afro-brasileira na cidade de São Paulo
    (Enredars, 2020) Forganes Santos, Fabrício
    En las ciudades brasileñas, el trazado urbano colonial contribuía a reafirmar el papel que el negro tendría en la sociedad de la época. Tal regla se aplicaría también a las iglesias de las hermandades negras cuya implantación y arquitectura no debían ofuscar la iglesia matriz, en general destinada a los blancos. En São Paulo, es probable que ya en el siglo XVIII existiera dos Hermandades de los Hombres Negros en la región central de la ciudad, y una tercera en la provincia de la Penha, punto de parada en el camino para las Minas Gerais. La buena articulación de los negros generaría prestigio a las hermandades de los esclavos, atrayendo las atenciones de los poderes eclesiástico y político que, aunque no tenían siempre los mismos objetivos, seguían con la misma motivación: marginar y eliminar progresivamente los territorios afrobrasileños. Al presentar las alteraciones en la interfaz urbanismo X arquitectura largo los siglos XIX y XX, se pretende comprobar que la arquitectura religiosa puede ser usada como estrategia de dominación o exclusión, y la consecuencia directa de esas acciones en el reconocimiento de los espacios de la memoria catolica afrobrasileña en la ciudad de São Paulo.
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    Jogos de escalas: a contribuição de fontes tributárias e censitárias para o estudo da arquitetura no final do período colonial
    (Enredars, 2020) Fonseca Borsoi, Diogo
    A micro história italiana, ao investigar as trajetórias de indivíduos ou comunidades para compreender estruturas mais gerais da sociedade, trouxe a reboque uma reflexão sobre o conceito de escala para a historiografia. Houve a necessidade de questionar quais escalas de análise (ex. local, regional, nacional, internacional) seriam apropriadas para uma determinada pesquisa a partir do(s) objeto(s) selecionado(s). No entanto, quando querse trabalhar essas questões no campo da História da Arquitetura e da Urbanização no período colonial brasileiro esbarrase com o problema das fontes. Assim, o presente artigo busca apresentar algumas séries documentais e uma proposta metodológica para trabalhar a questão a partir de um estudo de caso sobre Vila de Cunha ¿ SP, na transição do século XVIII e XIX.
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    Uma aproximação sobre a questão do patrimônio histórico: a Capela Nossa Senhora do Pilar em Taubaté
    (Enredars, 2020) Marcondes Massimino, Denise
    O objeto deste ensaio é a experiência de preservação e restauro da ¿Capela Nossa Senhora do Pilar¿, tombada em 1944 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN. Construída em taipa entre 1748 e 1760, o edifício é um remanescente da arquitetura colonial paulista com obras de artes aplicadas e partido formal aproximados ao do barroco e rococó mineiros. São objetivos aqui esclarecer o processo de constituição do artefato como patrimônio histórico, e o resgate do significado do monumento pela herança artística e cultural dos caminhos entre São Paulo e Minas Gerais. Os resultados da pesquisa verificam que os restauros da capela obedeceram a critérios elaborados durante a primeira fase da atividade do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) de 1937 a 1946, caracterizada pela estratégia de tombamento, reconstrução e resgate da ¿memória perdida¿ e guiada pelo pensamento modernista na arquitetura.
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    A pintura colonial do forro do vestíbulo da sacristia da Ordem Terceira De Nossa Senhora Do Carmo De Mogi Das Cruzes (SP): ¿Documentos e revelações¿
    (Enredars, 2020) Dos Santos Pereira, Danielle Manoel
    O presente estudo apresenta a pintura do forro do vestíbulo da sacristia da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, na cidade de Mogi das Cruzes em São Paulo. Além da beleza da pintura, outros dois aspectos que despertam a atenção é que essa obra pictórica não tem relação estilística com as duas outras obras existentes nesta Igreja e que sua composição é toda estruturada com elementos fitomórficos e zoomórficos. Essa obra, até o início do ano de 2015, não possuía nenhuma informação, exceto as hipóteses aventadas por estudiosos e restauradores de que a mesma não teria sido pintada para o cômodo onde se encontra. Contudo, novas buscas foram empreendidas nos documentos da Igreja dos Terceiros Carmelitas de Mogi e, frente aos dados levantados nos arquivos, lacunas que nos pareciam abstrusas estão sendo preenchidas, em relação à todas as pinturas e especialmente quanto a pintura do forro do vestíbulo, possibilitando, com isso, outras implicações e considerações sobre a obra.
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    A rede dos assentamentos jesuítas no Brasil dos séculos XVI-XVIII. O caso da Aldeia dos Reis Magos na capitania do Espírito Santo
    (Enredars, 2020) Gomes Duarte, Cláudia Cristina; Garrido de Oliveira, Carla Alexandra; De Almeida Martins, Renata Maria; Pôrto Ribeiro, Nelson
    O presente artigo tem por objecto os assentamentos jesuítas implantados na antiga capitania do Espírito Santo, Brasil, propondose demonstrar a estrutura, organização e hierarquia do sistema territorial implementado pela Companhia de Jesus. A investigação, aqui exposta de modo breve, enquadrase na tese de doutoramento em curso na FAUP. Organizado em duas partes, a primeira procura compreender as bases, formação e hesitações na imposição e construção de um sistema, com maior foco na segunda metade do século XVI, numa perspectiva de apropriação de certos aspectos das estruturas indígenas existentes, para sobre elas, mas também com elas, se concretizar a missão jesuíta no Brasil, i.e., a evangelização das populações indígenas e a ocupação, proveito e governo do espaço. A segunda parte, a partir de um dos casos em estudo, Reis Magos, tenta demonstrar em concreto o modo como se organizava e como evoluiu no tempo um assentamento jesuíta, tanto à escala da povoação como da capitania. Pela análise da evolução ocorrida ao longo dos séculos em cada um dos casos em estudo, será possível melhor compreender a inserção, ligações territoriais, subordinações e transformações introduzidas no sistema hierarquizado da rede de assentamentos jesuítas da antiga capitania do Espírito Santo. A par de fontes documentais, nomeadamente correspondência epistolar, e no âmbito de uma investigação em arquitectura e território, os desenhos e imagens recolhidos, trabalhados e produzidos, constituemse quer como recurso de comunicação, quer enquanto instrumento e processo de investigação, interacção e interpretação.
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    A construção de um santo: A figura de Anchieta nas gravuras ¿romanas¿ dos séculos XVII e XVIII
    (Enredars, 2020) Mascarenhas, Christian
    O presente texto não pretende avaliar o personagem histórico jesuíta ou sua ordem. Antes, o interesse aqui é identificar o propósito de suas representações por meio da gravura enquanto forma de construção e difusão da figura do santo no contexto de uma retórica barroca, ainda impregnada dos valores da Contrarreforma. A construção da figura de Anchieta para o processo de beatificação e posterior canonização definiu sua iconografia, consagrando sua relação com as feras domesticadas e com os indígenas ¿evangelizados¿. Tomando por base as gravuras produzidas em Portugal e na Itália durante os séculos XVII e XVIII, serão reconhecidos os dois principais aspectos nelas presentes: a figura do missionário evangelizador e do santo taumaturgo.