RT Book, Section T1 Eneias e a Sibilia Cumana: um azulejo no Palácio Belmonte de Lisboa A1 Magnani, Maria Cláudia Almeida Orlando K1 Sibila K1 Azulejos K1 Gravuras K1 Literatura K1 Virgílio K1 Grabados K1 Virgilio K1 Sibyl K1 Tiles K1 Engravings K1 Literature K1 Virgil AB A sibila é uma personificação artística e literária de mulheres, que carrega um aspecto universal da transcendência humana: o dom da profecia. De origem mítica, o arquétipo desse personagem está ligado a misteres literários e se manifesta em distintos ambientes artísticos, enquanto levanta questões polêmicas: históricas, antropológicas, iconográficas, teológicas. De origem babilônica, o mito se deslocou para o universo greco-romano e de lá para o restante da Europa e para as colônias ibéricas na América. O seu atributo principal e constitutivo em toda a tradição greco-romana é o status de porta-voz possuída pela divindade, como um canal de comunicação sem mediações entre os níveis divino e humano. Sobreviventes nas mais diversas culturas, as sibilas transitam eficientemente do paganismo, ao judaísmo e ao cristianismo – católico e reformado. Com incontáveis representações em todo o mundo, em diferentes linguagens artísticas e remontando aos mais distintos períodos históricos, as figurações das sibilas não foram muito numerosas em Portugal. Quando se trata de pintura em azulejos, conhecemos apenas uma representação do século XVIII, no Palácio de Belmonte, em Lisboa. O azulejo representa a sibila Cumana, que ao lado de Eneias – cena da obra de Virgílio – o acompanha ao mundo dos mortos para encontrar o seu pai. Este trabalho estuda suas bases iconográficas e iconológicas, transitando entre as gravuras e a literatura. AB La sibila es una personificación artística y literaria de mujeres que encarna un aspecto universal de la trascendencia humana: el don de la profecía. De origen mítico, el arquetipo de este personaje está vinculado a misterios literarios y se manifiesta en distintos ambientes artísticos, mientras plantea cuestiones polémicas: históricas, antropológicas, iconográficas, teológicas. De origen babilónico, el mito se trasladó al universo grecorromano y, de allí, al resto de Europa y a las colonias ibéricas en América. Su principal atributo constitutivo en toda la tradición grecorromana es el estatus de portavoz poseída por la divinidad, actuando como un canal de comunicación sin intermediarios entre los niveles divino y humano. Sobreviviendo en diversas culturas, las sibilas transitan eficazmente del paganismo al judaísmo y al cristianismo – tanto católico como reformado. Con innumerables representaciones en todo el mundo, en diferentes lenguajes artísticos y abarcando los más diversos períodos históricos, las figuraciones de las sibilas no fueron muy numerosas en Portugal. En el caso de la pintura en azulejos, solo conocemos una representación del siglo XVIII, en el Palacio de Belmonte, en Lisboa. El azulejo representa a la sibila Cumana, quien, junto a Eneas – escena de la obra de Virgilio –, lo acompaña al mundo de los muertos para encontrarse con su padre. Este trabajo estudia sus bases iconográficas e iconológicas, transitando entre grabados y literatura. AB The sibyl is an artistic and literary personification of women, which carries a universal aspect of human transcendence: the gift of prophecy. Of mythical origin, the archetype of this character is linked to literary mysteries and manifests itself in different artistic environments, while raising controversial questions: historical, anthropological, iconographic and theological. Of Babylonian origin, the myth moved to the Greco-Roman universe and from there to the rest of Europe and to the Iberian colonies in America. Its main and constitutive attribute throughout the Greco-Roman tradition is the status of spokesperson possessed by the divinity, acting as an unmediated channel of communication between the divine and human levels. Having survived in the most diverse cultures, sibyls have moved efficiently from paganism to Judaism and Christianity - Catholic and Reformed. With countless representations all over the world, in different artistic languages and dating back to the most distinct historical periods, the figures of the sibyls were not very numerous in Portugal. When it comes to tile paintings, there is but one known representation from the 18th century, in the Palácio de Belmonte (Belmonte Palace) in Lisbon. The tile depicts the sibyl Cumana, who, alongside Aeneas - a scene from Virgil’s work - accompanies him to the world of the dead to find his father. This paper analyzes its iconographic and iconological bases, moving between engravings and literature. PB Roma Tre Press / Enredars - UPO SN 978-84-0966-195-4 SN 979-12-5977-381-4 YR 2024 FD 2024 LK https://hdl.handle.net/10433/21990 UL https://hdl.handle.net/10433/21990 LA pt NO Área de Historia del Arte DS RIO RD May 9, 2026